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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Obesidade é estopim para desenvolvimento de câncer




Na guerra contra os quilos extras, pouca gente sabe que o impacto no espelho é o de menos. Atualmente, pesquisas e mais pesquisas não cessam de apontar a obesidade como o gatilho de uma série de males que, aparentemente, nada tem a ver com o peso. Aí estão incluídos o diabetes, o colesterol alto e a hipertensão. Esse pacote de doenças foi batizado de síndrome metabólica, um perigoso conjunto de problemas que dispara o risco de problemas mais sérios, como um infarto. Tudo porque a gordura, principalmente a depositada na região do abdômen, ao ser quebrada para manter o metabolismo corporal, promove uma série de reações que perturbam o trabalho do fígado. Como resultado, esse órgão despeja ainda mais gorduras na corrente sangüínea, aumentando o risco dos temidos entupimentos que estão por trás de infartos e derrames.
 
Além disso, o excesso de lipídios em circulação também prejudica a entrada de glicose nas células, levando a um quadro chamado resistência à insulina. A longo prazo, isso pode detonar o diabetes. Não à toa, atualmente todos os médicos recebem os pacientes para consultas de rotina com uma fita métrica em mãos. O diâmetro da cintura preocupa mais do que o peso ou o IMC , enfatiza o endocrinologista Henrique Suplicy, presidente da Abeso (Associação Brasileira para Estudos da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

Os órgãos sobrecarregados aumentam a freqüência cardíaca e elevam a pressão arterial. Como se tudo isso fosse pouco, o excesso de gordura também aumenta os níveis de insulina e de estrogênio, um hormônio que acelera a reprodução celular. E isso pode ser o estopim de vários tumores. Por tudo isso, atualmente, a obesidade está sendo chamada de a doença das doenças , diz o endocrinologista Daniel Lerario, de São Paulo.
Sabe-se que os genes também estão por trás da síndrome, mas os hábitos de vida fazem toda a diferença. Por isso, se você não tem uma genética favorável, é preciso investir numa dieta balanceada e em uma rotina de exercícios para evitar a subida dos ponteiros e dos problemas.

Você tem síndrome metabólica?
A resposta é positiva se assinalar pelo menos três destes fatores:

Diâmetro da cintura:
Acima de 102 para homens
Acima de 88 para mulheres

Triglicérides acima de 150 mg/dl
HDL
Abaixo de 40 mg/dl nos homens
Abaixo de 50mg/dl nas mulheres

Pressão arterial
Acima de 130x85

Glicose sangüínea
Acima de 110 mg/dl (miligramas por decilitro)


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Obesidade aumenta risco de câncer de ovário, diz estudo

Um estudo conduzido por cientistas americanos sugere que entre as mulheres que nunca se submeteram a tratamentos de reposição hormonal na menopausa, as obesas têm um risco maior de desenvolver câncer de ovário do que mulheres em seu peso normal.
O estudo do National Cancer Institute, publicado pela revista especializada CANCER, da American Cancer Society, acompanhou 94.525 mulheres americanas entre 50 e 71 anos de idade por um período de sete anos, indica que a obesidade pode contribuir para o desenvolvimento deste tipo de câncer por causa de um mecanismo hormonal.
O câncer de ovário é a doença ginecológica mais fatal, com uma taxa de sobrevivência de cinco anos de apenas 37% das pacientes. Estudos anteriores já haviam ligado a obesidade a outros tipos de câncer, mas pouco se sabe sobre a relação entre o excesso de peso e o risco de câncer de ovário.
Os pesquisadores registraram 303 casos de câncer durante o período do estudo e notaram que, entre as mulheres que não haviam feito terapia de reposição hormonal durante a menopausa, a obesidade estava associada a um risco quase 80% maior de desenvolver a doença.
Em contraste, não foi encontrada nenhuma ligação entre o excesso de peso e o risco de desenvolver câncer de ovário entre as mulheres que haviam feito a terapia de reposição hormonal. Segundo o Doutor Michael F. Leitzmann, do National Cancer Institute, que liderou a pesquisa, o resultado mostra que a obesidade pode aumentar o risco de desenvolver câncer por causa de seus efeitos hormonais.
O excesso de peso nas mulheres em idade pós-menopausa provoca um aumento da produção de estrogênio que, por sua vez, pode estimular o crescimento de células do ovário e desempenhar um papel no desenvolvimento do câncer. O estudo observou que a relação entre obesidade e aumento do risco ocorre em mulheres sem histórico de câncer de ovário na família, mas não é vista em mulheres com outros casos na família.
Segundo Leitzmann, as “relações observadas entre obesidade e risco de câncer de ovário têm relevância para programas de saúde pública com o objetivo de diminuir a obesidade na população”.


fote: BBC Brasil

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Obesidade e o risco de câncer


Nos últimos anos, congressos médicos dedicados ao estudo da obesidade apontam para risco maior de câncer na população com obesidade. As principais suspeitas recaem sobre câncer de mama (na fase pós-menopausa), câncer do cólon (intestino grosso) câncer no endométrio (a camada de células que cobre o útero), o esôfago e os rins.
Nas estatísticas oficiais norte-americanas notou-se que 41.000 novos casos de câncer ocorriam em pessoas com índice de massa corporal (IMC) acima de 30. O IMC é um índice obtido da divisão do peso da pessoa (em quilos) dividido pela altura (em metros) elevado ao quadrado. Por outro lado, quando se procurou saber a causa de morte por câncer (de várias partes do corpo) notou-se que 14% tinham excesso de peso. Este número é mais elevado em mulheres onde 20% apresentavam algum tipo de câncer.
Câncer de mama em obesas
As mulheres com excesso de peso, desde que em idade fértil não apresentam maior prevalência de câncer de mama comparativamente às mulheres de peso normal. No entanto após a menopausa as obesas têm o dobro da prevalência de câncer de mama. O risco de morte por câncer de mama após a menopausa é muito maior nas obesas. Para se ter uma idéia do que poderia ser evitado (câncer de mama e morte) estima-se que 18.000 mulheres por ano teriam evitado o câncer de mama e morte se o seu peso ficasse dentro de limites razoáveis na fase pós-menopausa.
Diante deste número, os pesquisadores e epidemiologistas passaram a investigar quais os fatores que levam as mulheres obesas menopausadas a terem maior risco de câncer de mama. O primeiro ponto a ser considerado foi a dificuldade dos métodos de imagem de detectar nódulos mamários em mulheres obesas. Tanto a mamografia como a ultrassonografia têm dificuldade de visualização de nódulos em mamas muito volumosas.
Outro fator considerado importante é o excesso de hormônio feminino (estrogênio) nas obesas. Antes da menopausa os hormônios femininos (estradiol, progesterona) são produzidos pelos ovários, em ritmo cíclico, com ovulações mensais. Com a menopausa cessam as ovulações, mas os ovários podem secretar estrógeno por alguns meses.
Após algum tempo os ovários deixam de secretar o estradiol e os sintomas da menopausa podem surgir. Nas mulheres de peso normal ou pouco elevado a massa de células com gordura (adipócitos) é pequena. Mas nas obesas o grande número de adipócitos pode levar a uma elevada produção de hormônio feminino. Isto porque os adipócitos contêm uma enzima (aromatase) que converte outros hormônios circulantes em estradiol e estrona. Este excesso de estrógenos (particularmente estrona) tem sido considerado como um fator cancerígeno para as mamas.
Câncer de endométrio
A camada de células que recobre o interior do útero tende a regredir em espessura e número de células após a menopausa. No entanto as estatísticas apontam aumento dos casos de câncer do endométrio (útero) em obesas comparativamente às pessoas de peso normal. Novamente tal prevalência mais elevada de câncer do útero em obesas está muito ligada ao excesso de hormônios estrogênicos (estradiol, estrona) produzidos pelas células adiposas.
Os hormônios femininos são estimuladores da proliferação da camada interna do útero. O estímulo permanente para crescimento destas células endometriais pode gerar o câncer do útero. Muito se discute sobre o papel, também estimulante, da insulina. Em mulhres obesas, com dieta rica em doces, massas, batatas, farináceos (carboidratos) existem aumento da insulina, hormônio do pâncreas que regula o açúcar circulante (glicemia). A insulina muito elevada em conjunção com excesso de estrógenos cria o ambiente hormonal mais propício de desencadear câncer do endométrio.
Câncer de cólon
Em mulheres obesas, com baixa atividade física, hábitos alimentares restritos a carboidratos e alguma carne, ave, peixe, mas nenhuma verdura, legumes e frutas, surgem condições favoráveis para o câncer de cólon. Primeiro porque a dieta é muito pobre em fibras e, a partir deste fato, surge a constipação intestinal crônica.
Foi documentado, em exames por colonoscopia (visualização direta do intestino) que os pólipos (crescimento de pequenos tumores, geralmente benignos) são mais comuns em obesas do que em mulheres de peso normal. Além disso, o excesso de carboidratos (muitos doces, farináceos, batatas, etc) desde que haja concentração de gordura na área abdominal, leva a um quadro de excesso de insulina.
Sabe-se que o câncer cólon-retal (do intestino grosso e recto) é mais frequente em associação com excesso de insulina e outros hormônios a ela relacionados (IGF-1). As obesas também têm baixa produção de um ‘ônibus’ que transporta hormônios femininos pela circulação. A falta deste ‘ônibus’ chamado de SHBG leva ao fato de que o estradiol e a estrona estão mais elevados na sua forma livre, isto é, pronto para atuar seja na massa, no endométrio e na área do cólon.
O excesso de energia acumulada e risco de câncer
Em toda mulher obesa existe grande quantidade de células adiposas, repletas de gordura. É um excesso de energia calórica acumulada. Este excesso de gordura leva a múltiplos efeitos no metabolismo de outras células, principalmente no maior nível de radicais livre e possível dano ao DNA das células, induzindo a possibilidade de câncer. Em conclusão, mulheres de peso normal, com dieta rica em fibras, pouco carboidrato e muito exercício, terão menos chance de serem vítimas de vários tipos de câncer.


fonte: Revista veja-julho de 2009


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