Introdução
Seus anúncios afirmam que elas podem ajudá-lo a "sentir-se em boa condição física", "aumentar sua energia" e "eliminar alguns quilos". Quem precisa de dieta e exercícios se uma simples pílula pode diminuir o peso com rapidez e facilidade? Com mais de 60% dos americanos acima do peso ou obesos, os medicamentos de dieta transformaram-se em uma indústria multibilionária nos Estados Unidos.
Embora a promessa das pílulas de dieta seja de proporcionar boa forma rapidamente, será que elas conseguem cumpri-la? Elas conseguem ajudá-lo a perder peso? Se a resposta for positiva, elas conseguem ajudá-lo a manter o peso baixo? Perguntas de perda de peso à parte, diversos medicamentos para dieta na última década foram associados a sérios problemas cardíacos e outros problemas de saúde, e inclusive a muitas mortes.
Nesse artigo, veremos a grande variedade de pílulas de dieta disponíveis, descobriremos como elas funcionam, quais são seus efeitos colaterais e saberemos se cumprem suas promessas.
Variedades de pílula de dieta
Há vários tipos diferentes de medicamento de dieta, incluindo medicamentos com receita médica, medicamentos vendidos diretamente e suplementos de ervas.
Pílulas de dieta
As diferentes pílulas de dieta funcionam de maneira diferente, dependendo de seus componentes.
Os inibidores de apetite, como sibutramina, dietilpropiona e fentermina, afetam a região reguladora do apetite do cérebro chamada de hipotálamo. Sua função é bloquear a absorção das substâncias químicas serotonina e noradrenalina, que provocam a sensação de saciedade após uma grande refeição. Com mais destas substâncias químicas circulando no cérebro, você se sente satisfeito e passa a comer menos.
Os bloqueadores de gordura prescritos, como orlistat, inibem a ação de uma enzima chamada lipase. Quando ingerimos alimentos com gordura, a lipase normalmente quebra a gordura quando esta chega ao trato intestinal. Com um inibidor de lipase ativo, uma porcentagem da gordura ingerida é removida do corpo através dos movimentos intestinais em vez de ser quebrada e absorvida.
Muitos medicamentos vendidos com receita médica são usados para dieta, mesmo que este não seja seu propósito. Alguns antidepressivos são utilizados sem receita (em inglês: "off-label") como medicamentos dietéticos, pois alguns estudos mostraram que eles ajudam pacientes a perderem peso e mantê-lo baixo durante vários meses. Pesquisadores também estão estudando alguns medicamentos normalmente usados para tratar epilepsia (topiramato e zonisamida) e diabetes (metformina) devido a seu potencial na perda de peso.
Em virtude das pílulas de dieta serem um negócio lucrativo, as empresas farmacêuticas estão esforçando-se para introduzir mais produtos no mercado. Mais de cem novos medicamentos de perda de peso estão em desenvolvimento ou em testes clínicos desde janeiro de 2005. Um dos grandes promissores é o rimonabant, que age em proteínas no cérebro chamadas endocanabinóides. Os endocanabinóides são semelhantes, quanto à estrutura, ao componente ativo da maconha e podem ser responsáveis pelo controle do apetite. O rimonabant impede que os endocanabinóides cheguem a seus receptores no cérebro.
Nos testes clínicos, um terço dos obesos que estavam usando rimonabant perderam mais de 10% de seu peso corporal e conseguiram mantê-lo baixo por até dois anos. O medicamento também possui alguns efeitos colaterais positivos: aumenta o HDL ("colesterol bom"), além de reduzir os triglicerídeos (uma forma de gordura conduzida pela corrente sangüínea). O rimonabant pode ainda ajudar os fumantes a perder o hábito.
Outros medicamentos promissores afetam os hormônios relacionados ao apetite. Um bloqueia o grelina, que o estômago envia ao cérebro para aumentar o apetite. Outro imita um hormônio chamado PYY, que informa ao corpo que ele está satisfeito.
As pílulas de dieta realmente funcionam
Muitos fabricantes de pílulas de dieta vendidas sem prescrição médica afirmam que seus produtos ajudarão você a perder peso milagrosamente - como até 15 kg em 30 dias - sem dieta ou exercícios. Suas promessas parecem boas demais para ser verdade.
Estudos clínicos mostraram que algumas pílulas, especialmente as variedades prescritas mais recentemente, ajudam as pessoas a perder alguns quilos. Mas a maioria desses anúncios que você vê na Internet e na TV são de produtos que não foram regulamentados, testados e comprovados.
Até mesmo as pílulas de dieta mais eficazes só podem ser tomadas por um curto período de tempo - geralmente seis meses ou menos. Durante esse tempo, os medicamentos de perda de peso prescritos pelo médico podem fazer você perder de 2,5 a 12 kg, ou até 10% do peso de seu corpo. Mas depois de seis meses, seu corpo desenvolve uma tolerância aos efeitos desses medicamentos, diminuindo a perda de peso. Depois disso, se você também não seguir um plano saudável de alimentação e exercícios, voltará ao peso anterior.
peso de mais de 546%"
Quem deve usar pílulas de dieta prescritas?
As pílulas de dieta com prescrição médica não servem para aqueles que querem perder alguns quilos só para entrarem em um vestido ou smoking. Somente as pessoas "obesas" (aquelas que estão 30% acima de seu peso ideal ou que têm um Índice de Massa Corporal de 30 ou mais - visite National Heart, Lung and Blood Institute: Healthy Weight (em inglês) para calcular seu IMC) ou que têm histórico de pressão arterial ou diabetes são bons candidatos para os medicamentos de dieta prescritos, de acordo com o National Institutes of Health (em inglês).
Mesmo com quase 16% das crianças americanas acima do peso, a maioria das pílulas de dieta não é recomendada para crianças abaixo de 16 anos. A única exceção é o orlistat, que pode ser usado com segurança por adolescentes de 12 anos ou mais.
Efeitos colaterais do uso da pílula de dieta
Como pílulas de dieta diferentes contêm ingredientes diferentes, os efeitos variam.
Já que os bloqueadores de gordura, como o orlistat, removem o excesso de gorduras pelo intestino, eles podem provocar cólicas, gases e diarréia. Em virtude destes medicamentos reduzirem também a absorção de vitaminas e nutrientes essenciais, as pessoas que tomam Xenical são aconselhadas a tomarem diariamente um suplemento polivitamínico.
A sibutramina e outros inibidores de apetite semelhantes estimulam o sistema nervoso simpático, que pode aumentar a pressão arterial e os batimentos cardíacos. Isto aumenta o risco de infarto do miocárdio, especialmente entre as pessoas que já sofrem de pressão arterial, batimentos cardíacos irregulares ou doença cardíaca. De fato, entre fevereiro de 1998 e março de 2003, o FDA recebeu relatórios de 49 mortes relacionadas com a sibutramina. Outros efeitos colaterais menores incluem constipação, dor de cabeça, boca seca e insônia (já que as substâncias químicas desses medicamentos também influenciam o sono).
Pílulas de dieta de ervas, mesmo que sejam "naturais", podem ter efeitos colaterais potencialmente perigosos dependendo de seus componentes. "Erva" não significa necessariamente "segurança". Além disso, em virtude de serem consideradas parte da indústria alimentícia e regulamentadas de maneira diferente pelo FDA, não há garantia de que elas possam funcionar como relato por seus fabricantes.
Suplementos dietéticos "naturais" contêm sinefrina, um composto equivalente à efedra, encontrada em frutas cítricas
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